Decisão da Igreja Presbiteriana sobre Maçonaria


A todas as igrejas e concílios espalhados pela República Federativa do Brasil e jurisdicionados a este Supremo Concílio, graça e paz!

I - Em sua reunião do Supremo Concílio do ano 2006, a Igreja Presbiteriana do Brasil decidiu afirmar a incompatibilidade entre algumas doutrinas maçônicas e a fé cristã. Na reunião de sua Comissão Executiva, realizada em 2007, foi criada Comissão Especial com o propósito de produzir um documento de instrução para a Igreja sobre esse assunto, assim como considerações normativas em relação à CI/IPB.

II - Não obstante vias comuns de aproximação da matéria, a comissão entendeu que, devido à necessidade de subordinação de suas considerações a princípios escriturísticos e confessionais da IPB, deveria proceder de forma direta, restringindo-se àquelas questões que lhe parecessem fulcrais.

III — Mediante consideração de milhares de páginas de documentos sobre essa questão e análise dos posicionamentos de outras denominações reformadas, conclui-se que há um aspecto primordial a ser considerado, que conecta aquilo que é central ao entendimento da identidade reformada da Igreja Presbiteriana do Brasil e à questão da incompatibilidade com algumas doutrinas maçônicas, sendo essa, especificamente, a questão do culto ao único e verdadeiro Deus, de acordo com as Sagradas Escrituras e os Símbolos de Fé da IPB.

IV — A Bíblia estabelece claramente que Deus criou o homem para sua glória e para cultuá-lo (Êxodo 20:4-6; Romanos 11:36 e João 4:24). Os Catecismos de Westminster declaram em suas primeiras respostas que o fim do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre (Catecismo Maior e Breve Catecismo de Westminster, pergunta Ia). A Constituição da Igreja, em seu artigo 2o (CI/IPB), começa sua descrição da finalidade da existência da Igreja Presbiteriana do Brasil como, "prestar culto a Deus, em espírito e em verdade". Ainda que não se considere a maçonaria ostensivamente como religião, o aspecto cúltico ocupa ali também lugar essencial: dentre os vinte e cinco landmarks, "considerados como as mais antigas leis que regem a maçonaria universal" e tidos como "eternos e imutáveis" (Grande Oriente de São Paulo - Edição Comemorativa do Cincoentenário), há, pelo menos, três que dizem respeito à obrigação cúltica (n° 11 — quanto à guarda do templo; n° 19 — crença no Grande Arquiteto do Universo, que deve ser reverenciado; n° 21 — presença obrigatória de um livro que contenha a verdade supostamente revelada pelo Grande Arquiteto do Universo). Ainda a se considerar, a título ilustrativo, que o Regulamento Geral do Supremo Conselho do Grau 33 para a República Federativa do Brasil (SC/GOMG) estabelece que "O Rito Escocês Antigo e Aceito se compõe de trinta e três (33) graus que, em suas diversas séries desenvolvem sucessivamente as doutrinas e a filosofia da Maçonaria, constituindo-se, assim, em uma escola de ética, cujo programa é: cultuar a Deus e cultivar a Espiritualidade". Infere-se, portanto, que o aspecto cúltico é central para a Maçonaria.

V — O culto biblicamente prescrito requer a adoração individual e coletiva ao único e verdadeiro Deus Trino e por intermédio de seu Filho unigênito, Cristo Jesus (conforme a Confissão de Fé de Westminster, capítulo XXI, parágrafos 1º e 2º, e as respostas às perguntas 108 e 109 do Catecismo Maior de Westminster).

VI — Ainda que louvável o anseio de responder à revelação geral de Deus em reconhecimento, culto e veneração, conforme o primeiro capítulo da epístola de Paulo aos Romanos, a Maçonaria, em sua intenção cúltica, conflita com as ordenanças religiosas que Deus instituiu em sua Palavra (a revelação especial), quando aquela dirige a adoração a um deus como concebido por cada professante individualmente, dentre os mais diversos credos religiosos. Não se pode afirmar, portanto, que nos atos de intenção cúltica ou veneração maçônica ao Grande Arquiteto do Universo o deus de um seja o deus de todos. Já a as Escrituras restringem o culto no 1º e no 2º mandamentos ao Deus bíblico do Antigo e do Novo Testamento, o Deus de Abraão, de Isaque, de Jacó, de nosso Senhor Jesus Cristo e seus apóstolos (Êxodo 20: 1-6; Atos 3: 13; 7:32). Outrossim, a oração no culto maçônico é dirigida a um deus sem a necessária mediação do Senhor Jesus, contrariando também o que se encontra em 1 Timóteo 2:5, no Capítulo XXI, II, da CFW e na resposta à pergunta 108 do CMW.

VII - Conforme já mencionado, a Maçonaria reconhece a necessidade da revelação especial quando determina para suas lojas e templos a adoção de um livro sagrado, de acordo com a crença de cada um, considerando-o como "aquilo que se supõe conter a verdade revelada pelo Grande Arquiteto do Universo" Landmark n° 21). As próprias escrituras, entretanto, determinam que o cristão tenha como única regra de fé e prática a Bíblia Sagrada, tanto para meditação individual quanto coletiva (Salmo 19: 1-4; Isaías 8: 20; Mateus 4:4, 7, 10; Lucas 1:3-4; Romanos 1: 19-20; 32; 2: 1; 2: 14-15; 15:4; 1 Coríntios 1:21; 2:13-14; 1 Timóteo 3: 15; Hebreus 1:1-2; 2 Pedro 1: 19; também CFW, cap. I, 2º parágrafo).

VIII — Postas essas premissas, que evidenciam a incompatibilidade sobrefalada, constitui falta, tipificada no caput do art. 4º do Código de Disciplina da IPB, a efetiva participação em atos cúlticos que não sejam dirigidos aos Deus único e verdadeiro, por intermédio de Jesus Cristo, seu unigênito Filho, e que não adotem a Bíblia Sagrada como livro exclusivo de revelação de Deus. Observa-se que a falta ora tipificada é de foro externo, conforme preceitua o art. 1º do CD/IPB, portanto sujeita à vigilância e observação da Igreja.

IX— A correção dessa falta opera-se nos termos do referido diploma legal, cabendo a cada Concilio, no exercício de sua jurisdição, tratar de cada caso.

X — Nada obstante, em consonância com a Palavra de Deus, com seus Símbolos de Fé e suas resoluções, o Supremo Concílio RESOLVE:

a) Manifestar o reconhecimento de que na história da IPB e ainda hoje tem havido e existem muitos irmãos crentes fieis e operosos que muito contribuíram para a IPB, os quais, não sentido haver a incompatibilidade sobrefalada, mantiveram relação ativa com a Igreja e com a Maçonaria. Tal reconhecimento coaduna com o espírito do ensino bíblico quanto ao trato da honra dos irmãos, conforme exposto no Catecismo Maior (perguntas 144 e 145, quanto ao nono mandamento), não obstante o presente entendimento quanto à obediência ao segundo mandamento.

b) Determinar que qualquer ação, de quaisquer das cortes da igreja que tratem da matéria, só seja efetivada mediante espírito de brandura, e que os conselhos ou presbitérios procedam com zelo e cautela, exortando e admoestando, conforme o ensino de 2 Timóteo 2:24 a 26;

c) Instruir todos os concílios a ele jurisdicionados que, considerando o que preceitua o art. 6º do CD/IPB — o qual especifica que as faltas são de ação ou omissão, isto é, a prática de atos pecaminosos ou a abstenção de deveres cristãos -, incorre em falta o membro de Igreja e ministro que estiver participando ativamente em atos cúlticos em desacordo com o primeiro e segundo mandamentos em qualquer organização que os promova.

É bíblico o batismo por aspersão?


 INTRODUÇÃO

                Estamos vivendo uma época de crise de identidade em nossa denominação, e por isso, precisamos resgatar a nossa identidade. A Igreja Presbiteriana precisa repensar e regressar as antigas verdades outrora defendidas com afinco na igreja.
                O nosso tema de hoje é polêmico, isto porque a comunidade evangélica da atualidade é IMERSIONISTA, sendo assim, talvez alguns de vocês tenham assimilado essa prática e gerado um preconceito contra o batismo por aspersão – digo que isso é natural, mas é desprovido de fundamento. Sabe como a imersão tem sido assimilada? Pelo menos de duas formas básicas:
                1) Pela associação com o Batismo Católico Romano – Ser aspersionista é ser católico romano; assim, dizem os crentes modernos.
                2) João Batista batizou no Rio Jordão – Esse tem sido o argumento do imersionistas, pois, eles supõem que se João, o Batista, batizou em um rio esse batismo foi por imersão.
                O nosso estudo visa mostrar que estas duas premissas estão erradas. O batismo por aspersão não é do catolicismo romano, mas é uma forma bíblica de Batismo; segundo, João, o Batista, jamais praticou a imersão.

                A nossa Confissão de Fé declara[1] o seguinte: “Não é necessário imergir o batizando na água; mas o batismo é corretamente administrado ASPERGINDO água sobre o candidato” (Confissão de Fé de Westminster, Cap.23 e Séc.3).Essa é a nossa tese neste estudo.

                Vejamos o que podemos aprender sobre este assunto:

I – O QUE É BATISMO?

                O nosso Breve Catecismo diz que “o batismo é o sacramento no qual o lavar com água em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, significa e sela a nossa União com Cristo, a participação das bênçãos do pacto da Graça, e nosso compromisso de pertencemos ao Senhor” (Breve Catecismo pergunta 94).
Nesta definição de Batismo oferecida por nosso símbolo de fé podemos destacar algumas coisas:
                1.1 – O batismo é um Sacramento: O termo “Sacramento” significa algo que é Santo. Um sacramento, dentro da definição presbiteriana, é “um sinal visível de uma graça invisível” que tem sido destinada aos crentes em Cristo[2] , devemos levar em consideração este conceito presbiteriano, o batismo não é qualquer coisa, tem valor e muito valor.
                1.2 – O batismo significa e sela a nossa união com Cristo: O batismo aponta para a realidade de que fomos alcançados por Cristo, Deus declara-nos que fomos salvos e que lhe pertencemos mediante este sacramento.

II – ANALISANDO O VOCÁBULO BATISMO

                Os imersionistas dizem que o termo Batismo significa sempre “Imergir na água”. Dizem que os termos “Baptw”(Baptô) e “Baptizw”(Baptizô) sempre tem essa conotação. É verdade que no grego clássico estes termos significavam “imergir”, todavia, o grego Novo Testamento é o Grego conhecido como Koinê (Aquilo que é comum, aquilo que é do povo). E os termos nunca são empregados no Novo Testamento com esse sentido de imergir.
                Vejamos:

                1) Batizar nem sempre é imergir: Cristo não se Batizava antes de comer veja o que diz Lucas 11.38, o vocábulo grego empregado é “ebaptisqh”(Ebaptisthê).Outro fato interessante é o que Marcos diz em 7.4 “quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem( baptiswntai - baptisôntai); e há outras cousas que receberam para observar, como a lavagem( baptismouV - Baptismus) de copos, jarros e vasos de metal e camas”.
Ora, se a palavra “Batismo” significa somente imergir, então, como explicar a imersão das camas de dormir – em qual tanque eles praticavam isso? No rio Jordão? Como? Levavam a cama na cabeça até o rio?
Como explicar Dn.4.25? Na versão grega do Antigo Testamento (Conhecida como Septuaginta) diz que “Nabucodonozor foi batizado no Orvalho do Céu”. Ele foi mergulhado no orvalho? Uma gota de chuva prova a imersão ou a aspersão?

                 2) Batizar não é sepultar: Os imersionistas advogam que o Batismo é símbolo da morte de Cristo. E apelam para Romanos 6.4ss , estes textos fala de nossa identificação com Cristo no Batismo dele que é caracterizado como a sua morte, e este batismo, sela nossa união com Ele. Associam que o descer a sepultura de Cristo, é figura do seu batismo, a pergunta é: Cristo foi sepultado como nós ocidentais somos? Ele foi baixado na cova, ou foi sepultado dentro de uma rocha, ou caverna? Então, o modelo de nosso sepultamento não serve para tal simbolismo do batismo de Cristo.

III – JOÃO, O BATISTA – UM IMERSIONISTA?

                Os imersionistas agarram-se a João Batista dizendo que ele praticou a imersão. Será que João praticou a imersão no seu ministério?Alguns argumentam que ele batizou no Rio Jordão, ora se ele batizava em um rio, logo, ele batizava por imersão. Parece-nos uma conclusão lógica.Temos alguns problemas com essa argumentação:

                1) Quem era João Batista? Todos nós sabemos que João era o primo de Cristo, e Filho de Isabel e Zacarias. Mas qual é era a função João? Jesus disse que João era Profeta. Por isso, Cristo disse que ele era o Elias prometido conforme profetizado por Malaquias 4.5, isto é fato descrito por Mateus 11.10-13. O que iria fazer o “Elias prometido”? Em Malaquias 3.1,3 diz que ele “purificará os filhos de Levi”, mas como era feita a purificação dos Filhos de Levi? Era por imersão ou aspersão? Veja o que diz Números 8.6-7. Então, João não poderia ser um imersionista.
                2) João como profeta não poderia introduzir um novo rito de purificação: É público e notório que todos os ritos de purificação no V.T eram por aspersão, e todos os profetas praticaram a aspersão como rito de purificação, especialmente porque Moisés havia recebido a ordem de Deus para isso, logo, nenhum profeta poderia alterar o rito, como João, sendo um judeu levita, poderia introduzir tal rito estranho? Basta olharmos o primeiro capítulo do Evangelho de João 1.25 (evangelista) para vermos que isso era impossível

IV – ALGUMAS PASSAGENS DA ESCRITURA E ASPERSÃO PROVADA

              Neste momento queremos mostrar alguns textos das Escrituras onde a imersão não aparece, e torna-se evidente que a aspersão é o caso aplicado. Estes textos provam que a imersão nunca foi uma prática bíblica, e assim, a aspersão é bíblica – não pode existir duas verdades quando uma se opõe a outra, vejamos:

                1) Paulo não foi imerso: Não há como negar que Paulo foi batizado em pé Atos 9.18; 22.16. A expressão no original grego anastaV ebaptisqh(anastas ebaptisthê) o particípio grego “anastas”indica que houve uma ação simultânea entre o levantar e ser batizado. Não há porque supor que havia um tanque batismal na casa para isso, pois, tal não era a prática de judeus já apegados a aspersão.

                2) As abluções são traduzidas por batismos: O autor do livro de Hebreus que as várias cerimônias de purificações no V.T são chamadas de “batismos” isso no capítulo 9.10 e as descreve nos versículos 19-22

                3) Como explicar a imersão em I Corintios 10.1,2: É possível ser imerso na nuvem? Ou no Mar Vermelho?Os israelitas foram imersos no Mar vermelho? Não foram os egípcios? Como podemos ser mergulhados em Moisés? Este texto só tem explicação se a aspersão foi admitida no termo “batismo” que é empregado aqui.

                4) Atos 2.41 prova a imersão? A resposta é não. Porque os imersionistas não consideram algumas coisas.
                4.1) não havia rio dentro da cidade de Jerusalém.
                4.2) como mergulhar 3 mil pessoas em um dia, em um local sem águas para a imersão se praticada..

CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER 

CAPÍTULO XXVIII
I. O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na Igreja a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça, de sua união com Cristo, da regeneração, da remissão dos pecados e também da sua consagração a Deus por Jesus Cristo a fim de andar em novidade de vida. Este sacramento, segundo a ordenação de Cristo, há de continuar em sua Igreja até ao fim do mundo.
Ref. Mat. 28:19; I,Cor. 12:13; Rom. 4:11; Col. 2:11-12; Gal. 3:27; Tito 3:5; Mar. 1:4; At. 2:38; Rom. 6:3-4; Mat. 28:19-20.

II. O elemento exterior usado neste sacramento, é água com a qual um ministro do Evangelho, legalmente ordenado, deve batizar o candidato em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
Ref. At. 10-47, e 8:36-38; Mat. 28:19.
III. Não é necessário imergir na água o candidato, mas o batismo é devidamente administrado por efusão ou aspersão.
Ref. At. 2:41, e 10:46-47, e 16:33; I Cor. 10:2.
IV. Não só os que professam a sua fé em Cristo e obediência a Ele, mas os filhos de pais crentes (embora só um deles o seja) devem ser batizados.
Ref. At. 9:18; Gen. 17:7, 9; Gal. 3:9, 14; Rom. 4:11-12; At. 2:38-39.

V. Posto que seja grande pecado desprezar ou negligenciar esta ordenança, contudo, a graça e a salvação não se acham tão inseparavelmente ligadas com ela, que sem ela ninguém possa ser regenerado e salvo os que sejam indubitavelmente regenerados todos os que são batizados.
Ref. Luc.7:30; Exo. 4:24-26; Deut. 28:9; Rom. 4:11; At. 8:13, 23.

VI. A eficácia do batismo não se limita ao momento em que é administrado; contudo, pelo devido uso desta ordenança, a graça prometida é não somente oferecida, mas realmente manifestada e conferida pelo Espírito Santo àqueles a quem ele pertence, adultos ou crianças, segundo o conselho da vontade de Deus, em seu tempo apropriado.
Ref. João 3:5, 8; Gal. 3:27; Ef. 5:25-26.
VII. O sacramento do batismo deve ser administrado uma só vez a uma mesma pessoa.
R.ef. Tito 3:5. 

Livro polêmico revela “segredos sujos” sobre o pastor Mike Murdock

Salomão ficou famoso nas páginas da Bíblia por sua sabedoria, bem como pelas mulheres que colecionou e pela lendária fortuna que acumulou. Entre os televangelistas que fizeram fama no mundo gospel, alguns ficaram conhecidos por ministérios de cura, outros por enfatizar a prosperidade e alguns por afirmarem ser capazes de realizar milagres.
O pastor Mike Murdock se diferencia entre a maioria deles por enfatizar justamente a necessidade de sabedoria. Ele escreveu dezenas de livros sobre o assunto e criou, inclusive, o Centro de Sabedoria, sede de seu ministério em Fort Worth, Texas.
Mas quando ele se tornou famoso, aparecendo em programas diversos e sempre comparando a busca por sabedoria com o acúmulo de riquezas, passou a chamar atenção de muita gente dentro e fora da igreja.
O jornal texano Star-Telegram fez, em 2003, uma série de reportagens investigativas sobre O Centro de Sabedoria e o ministério de Mike Murdock. A questão levantada pelos repórteres era o acúmulo de riquezas por um pastor que afirmava manter uma organização sem fins lucrativos. O jornal, dedicou um grande espaço para mostrar os jatinhos e carrões que ele possuía, além dos esplendores da imensa propriedade de 7 hectares que Murdock mantém em Argyle, Texas.
Naquela ocasião, o Star-Telegram contou com o apoio da Trinity Foundation [Fundação Trindade], que se descreve como uma organização disposta a “monitorar e investigar a fraude religiosa desde 1987”. O próprio pastor Mike contou, quando esteve no Brasil, que depois de muitas investigações do departamento de Imposto de Renda e do jornal, nada ficou provado e ele nunca foi condenado.
Em 2011, novamente Mike Murdock e seu ministério estão sendo acusado de fraudes, mas de uma maneira diferente. O ex-missionário Brian “Trey” Smith publicou um livro chamado “Thieves: A dirty TV pastor and the man who robbed him” [Ladrões: um pastor da TV desonesto e o homem que o roubou], onde descreve, com riqueza de detalhes, os bastidores do ministério de Murdock e sua obsessão, a exemplo de Salomão, por mulheres e riquezas.
Em 1998, Trey estudava no seminário Cristo para as Nações, em Dallas. Seu melhor amigo naquela época era Jason Murdock, filho único do pastor Mike. Ele diz que rapidamente passou a ficar íntimo da família e passava horas na mansão da família e conheceu uma “sala secreta”, que possuía alarmes eletrônicos e abrigava um grande forte.
Trey e Jason passavam horas naquela sala, experimentando os caros relógios Rolex, pulseiras de ouro e anéis de diamante, jogando cara ou coroa com valiosas moedas antigas e folheando uma grande coleção de revistas pornô. Eles também faziam uso de bebidas alcoólicas e drogas.
Aos poucos, Trey relata que foi ficando com raiva de ver o pastor Murdock aparecer na TV o tempo todo falando sobre Deus enquanto vivia uma vida que não condizia com suas pregações. Ele relata que o pastor Murdock mantinha um mini-zoológico, que incluía inclusive um leão de estimação, várias limusines e vivia acompanhado de prostitutas de luxo.

Em seu livro ele descreve a situação assim:

“Considerava a sala secreta de Mike uma conta pessoal, onde podia fazer saques pequenos enquanto, em troca, mantinha minha boca fechada. É um fardo viver em uma bolha cristã, sem nunca poder falar sobre o paraíso escondido do pregador, com prostitutas siliconadas, brinquedos sexuais, pornografia pesada, e tudo que o dinheiro podia comprar… Em minha mente, era tudo um comércio, um arranjo sórdido…
Naquela época, eu entrava no closet do pai do meu melhor amigo como o cara que descobriu a tumba do faraó. Havia caixas e caixas de anéis, braceletes e colares de ouro, moedas raras e uma desorganizada coleção de selos muito valiosos… Mas nada se comparava ao que imaginávamos haver dentro do grande cofre, que ficava no meio do quarto. Nunca conseguimos abri-lo, mas passei a deseja-lo. Sonhava com isso, fantasiava como seria… Não queria apenas roubar o seu dinheiro… Mais do que isso, eu tinha realmente aprendido a odiar aquele homem e tudo que ele representa.
Odiava as mentiras, o engano, a ganância, os acordos de bastidores, os segredos, o sexo e toda a dor que ele causava aos cristãos falando sobre a necessidade de eles terem fé no “deus dólar”. Para mim, dentre os televangelistas, Mike Murdock era o pior. Enquanto o mundo estava assistindo-o pregar de terno, gravata e Bíblia aberta em suas telas de televisão, eu conhecia os lugares que ele nunca mostraria perante as câmeras.
Eu sentia que todos seus mantenedores tinham sido injustiçado. Iria apenas consertar as coisas. Eu sabia que praticamente nada daquele dinheiro era destinado para o que Murdock chamava de “instituições de caridade.”Eram apenas uma fachada que ajudavam a manter seu desejo por ter ouvintes obedientes, posses terrenas, contas bancárias de grande porte, mulheres bonitas, escapadas sexuais e sede de poder. Por todas estas razões, eu não me sentia nem um pouco mal por tomar até o último centavo que ele tinha. Eu não era herói. Eu tinha me tornado um canalha sujo e podre como todos eles.”
Trey acabou usando seus conhecimentos e familiaridade com a mansão para roubar o cofre de Murdock enquanto ele estava em sua viagem anual a Israel em 1999. Sabendo a combinação dos alarmes, entrou na sala secreta e fugiu para o México. No relatório para a polícia, Murdock afirmou que no cofre havia 125 mil dólares, nos vídeos disponíveis na internet ele diz que foram milhões. Trey afirma que foi tudo uma armação, o pastor teria colocado pilhas de papel cortadas do tamanhão de notas verdadeiras e escrito um bilhete dizendo que jamais perdia, que sua fortuna estava a salvo no banco e que iria atrás do ladrão. Com medo do que podia acontecer, Trey fugiu para o México sem dinheiro e com mais raiva ainda do pastor.
Depois de extensa investigação nos Estados Unidos, provas contra Trey foram reunidas, mas ele estava fora do alcance da lei americana. Murdock então contratou investigadores particulares que o rastrearam quando ele voltou para os Estados Unidos.
Ele respondeu por esse roubo e outras acusações e cumpriu pena numa penitenciária durante quase uma década. Enquanto estava preso, escreveu boa parte seu livro, onde diz relatar com detalhes muitos outros segredos do ministério de Murdock e também de outros pastores conhecidos.
Trey Smith agora se diz arrependido e livre das drogas, e que deseja mostrar ao mundo que está mudado. Afirma ter se reconciliado com Deus, mas continua disposto a mostrar quem realmente é o pastor Mike Murdock. Além de publicar Thieves de maneira independente em forma impressa e como ebook, Trey mantém o site godinanutshell.com que oferece várias informações sobre seu passado e traz “provas” de seu roubo e de todas as acusações que faz.
A revista texana D Magazine publicou o primeiro capítulo do livro e tentou ouvir o pastor Murdock ou alguém que pudesse falar em nome do Centro de Sabedoria. Não teve resposta.

Fonte:  http://noticias.gospelprime.com.br

CREFLO DOLLAR

Creflo Augustus Dollar Jr, 41 anos, nasceu em College Park na Geórgia, ex-jogador de futebol da faculdade, filho de um policial em 1986 deu início a investida no ministério criando a World Changers Church em Atlanta, juntamente com oito pessoas em uma lanchonete da escola primária. A congregação mudou-se do refeitório para uma modesta capela, e já contava com um programa semanal de rádio.
Em 24 de dezembro de 1995, WCCI mudou-se para sua atual localização, lugar conhecido como a Cúpula Mundial. Com um custo de quase US $ 18 milhões, afirma que a Cúpula Mundial foi construída sem qualquer financiamento bancário. Dollar era então o pastor fundador da World Changers Church International, sediada na Georgia, e em 2007 a congregação já possuía cerca de 30.000 membros.
Creflo Dollar, está no topo dos pregadores americanos que construiu um império religioso. Dollar e sua esposa, Taffi, tem cinco filhos e juntos supervisionam as empresas Creflo Dollar Associação Ministerial, Creflo Dollar Ministérios, e Arrow Records. Ele tem uma congregação com cerca de 40.000 membros e mais de 5.000 funcionários. Comanda programas diários na televisão atingindo um público de um bilhão de famílias em todo o mundo.
Adepto do "Evangelho da Prosperidade" ensina a "prosperidade total de vida", que significa prosperidade, não só nas finanças, mas em tudo, desde a saúde à vida familiar.
Conferencista e escritor de livros com o mesmo tema, construiu seu império, com a seguinte mensagem: “Deus não quer que você seja pobre” e está constantemente em viagens para ministrar seminários e conferências mundo afora.
Dollar, esbanja prosperidade através de seu Rolls-Royce, jatos particulares, mansões avaliadas em milhões de dólares, incluindo casa em Atlanta e apartamento em Manhattan.
Em suas pregações motiva seus fiéis a repetirem frases de prosperidade tais como “ o dinheiro virá para minhas mãos” e com isso oferece aos cristãos a mensagem que todos devem ser ricos, estimulando a muitos que querem um caminho para sair da pobreza ou da dívida. Propaga a mensagem de um Jesus que era rico e afirma que Deus quer que você seja muito rico. Em seus ensinos diz que a pobreza está associada à falta de fé
Escreve livros sobre prosperidade e afirma: “Você precisa ouvir sobre o dinheiro, porque não vai ter amor, alegria e paz até conseguir algum dinheiro! Você tem que ganhar algum dinheiro!" (Creflo Dollar, TBN, 20 de julho de 1999)
Quase tudo que Creflo prega está associado ao dinheiro sendo que leva pessoas a frente para darem depoimentos sobre como adquiriram dinheiro e prosperaram financeiramente. Os depoimentos muitas vezes são gravados e tem o objetivo de mostrar aos membros da igreja como a lei do dízimo funciona em razão de receberam inesperadas bênçãos financeiras. Basicamente utiliza a pregação da lei da semeadura, ou seja, para ser abençoado terá que semear... e muito, para não ter de colher pouco. Depois de falar em línguas Creflo interpreta isso como Deus falando com as pessoas para entregarem o seu tudo.
Ensina que para ter o amor de Deus e receber a unção devem dar o dízimo: "Deus quer que você dê o dízimo para que ele possa te amar, te abençoar e assim ter as coisas que deseja em sua vida. “Deus quer fazer um acordo com você. Quando você traz o seu dízimo então Deus poderá protegê-lo.
Ensina o pacto do dízimo - o dízimo é a aliança. Negando a própria Bíblia, que diz que o sangue de Cristo é a aliança, fundada sobre graça. O pacto de Dollar sobre o dízimo está ligado à Antiga Aliança, da lei que, a qual não estamos mais submissos.
Em seu programa, afirma: "Aprenda a se apoderar da riqueza que tem sido armazenada para você!" O dízimo é a sua conexão com tudo o que Deus possui. Saiba que o seu dízimo lhe dá autoridade para se sentar onde El Elyon senta e vê-lo atuar fortemente em seu nome. "
O pior é que quando uma pessoa se torna membro de sua igreja, a determinação é para seja um dizimista fiel. Se alguém não cumprir a promessa de entregar o seu dízimo, o qual selou com a própria assinatura durante a membralização estará condenado ao ostracismo por parte dos ministérios da igreja. Poderá apenas frequentar a igreja, mas estará impedido de participar de qualquer das suas atividades oficiais.
Conforme relato de um membro que não era dizimista, o mesmo sofreu profunda humilhação durante um culto Dollar pediu para ficar de pé somente os membros da igreja que eram dizimistas. Ele manteve-se sentado e Dollar apontou para ele e os outros que estavam sentados dizendo que eles estavam bloqueando as bênçãos da igreja.
Para seus milhares de seguidores, Creflo Dollar prega uma poderosa mensagem de que a fé em Deus trará recompensas financeiras. Mas, para alguns estudiosos e líderes da igreja, Dollar tem como marca registrada a exploração do evangelho da prosperidade. Outra questão relevante que tem intrigado seus críticos é o fato de recusar-se a revelar o seu salário.
Em 2007, o senador Charles Grassley deu início a uma série de investigações convocando Dollar e outros tele-evangelistas da prosperidade a declararem a forma de aquisição de alguns bens, citando os estilos de vida pródigos (no caso de Dollar, compra do Rolls Royce, as casas em Atlanta e Nova York no valor de milhões e doações a outros pregadores) e questionando o uso do dinheiro arrecadado de fiéis e espectadores. O senador está exigindo notas fiscais dos bens adquiridos, relatórios das reuniões de diretorias, provas contábeis feitas por empresas de auditorias, com dados precisos, entre outros documentos. Dollar tem negado qualquer irregularidade.
                            Fonte: Libertos do Opressor!

Jezabel, a Rainha Pagã

   Jezabel é uma das personagens femininas mais intrigantes do Antigo Testamento. Inteligente, dominadora e hedonista, ela viveu contrário a tudo o que o seu nome significa. No hebraico, 'Iyzebel quer dizer “casta”, todavia essa rainha é conhecida na história bíblica como mulher impudica e idólatra.
   Jezabel era uma princesa sidônia, filha do poderoso Etbaal (no hb. “com Baal”) – um poderoso rei da Fenícia – adoradora de Baal-Melcarte, um falso deus fenício, e rainha de Israel durante o reinado de Acabe, cerca de 870-853 a.C. (1Rs 16.29-31; 18.19). Conjecturo que Jezabel era alta sacerdotisa da deusa Astarte, divindade, que, conforme crido na época, era esposa de Baal. No culto a esses deuses eram praticados todos os tipos de orgias, como explico em minha obra A Família no Antigo Testamento.
  Embora a Lei Mosaica proibisse o casamento com os povos pagãos, o incrédulo Acabe casou-se com a mais poderosa e vil mulher da Fenícia. Este casamento não fora realizado pelos sacerdotes diante do Senhor, mas pelos sacerdotes de Baal, diante desta mesma divindade (1Rs 16.31). A confiança de Acabe não estava em Iavé, mas nos acordos diplomáticos feitos por Onri, seu pai.
   Esta união, no entanto, trouxe a ruína moral, espiritual e social do reino do norte, Israel. A capital Samaria tornara-se a partir de então o centro religioso do culto a Baal e a Astarte, contendo no palácio 450 profetas de Baal e 400 sacerdotisas de Astarote ou Asera (1Rs 18.4). Isto significa que não apenas foram mortos os profetas, mas também muitos sacerdotes fiéis a Iavé.
   Neste período lúgubre, o palácio transformou-se em antro de luxúria, malandragem, excessos e vícios sexuais. Tudo com a participação do rei Acabe, da rainha Jezabel e dos profetas e sacerdotisas de Baal e Astarte. O paganismo de Jezabel unia prostituição e homossexualismo com religião e religiosidade. Esta é uma das principais razões pelas quais Jezabel é conhecida como prostituta. E na verdade o era, entretanto, uma hieródula, ou prostituta sagrada.
   É impossível desassociar o culto pagão ao casal herogâmico Baal e Astarte da prostituição sagrada, da falolatria, dos sacrifícios de crianças, das ervas alucinógenas, feitiçaria entre outros desvios (2Rs 9.22). E, segundo a tradição fenícia e canaanita, o rei e a rainha eram elementos indispensáveis nessas festividades, pois a presença deles assegurava o favor das divindades cultuadas. A rainha Jezabel incitava o rei Acabe para fazer o que era “mau aos olhos do Senhor”, diz o redator das crônicas dos reis (1 Rs 21.25).
   Uma das primeiras iniciativas da rainha Jezabel foi exterminar os profetas do Senhor e colocar no palácio os sacerdotes, sacerdotisas e profetas de Baal e Astarte. Depois, preocupou-se em matar os poucos servos de Deus que lhe resistiam o poder inconteste. Assim, começa a perseguir Elias, o único profeta ainda a lhe resistir o poder publicamente (1Rs 18 e 19) e, mais tarde, o indefeso Nabote (1Rs 21.14).
   A vida impudica de Jezabel recebeu a justa retribuição divina pelo modo como morreu. Leia 2 Reis 9.30-37. O nome desta mulher tornou-se sinônimo de idolatria, falsos profetas, prostituição, falsos ensinos, tolerância ao pecado, perseguição aos servos de Deus, heresias entre outros. É com esse sentido que o nome Jezabel aparece em Apocalipse 2.20.
   No entanto, a associação de Jezabel com ornamentos femininos e com o chamado “kit Jezabel”, é uma brincadeira de mau gosto. Provavelmente resulta de má compreensão do texto de 2 Rs 9.30 que relata a visita de Jeú e o fato de a rainha se pintar e se adornar para receber o profeta.
   Todavia no Antigo Testamento era muito comum as mulheres se adornarem com artefatos de ouro, prata e cobre, além é claro, de usarem maquiagem. A imagem caricata que se faz dessa personagem é jocosa e não representa a realidade, mas apenas tenta exprimi-la.
   A Bíblia está repleta de exemplos de mulheres santas que usavam esses artefatos e que se adornavam, conforme o costume da época. Todavia, o apodo “jezabel” é usado mais freqüentemente para descrever os costumes imorais e a impiedade que crassa na religião e, infelizmente, adentrou numa comunidade cristã nos idos do primeiro século depois de Cristo.
   Modernamente, os nomes “Jezabel” e “Balaão” são associados aos pecados morais, à apostasia, à ganância financeira, à simonia, e amor ao dinheiro. Infelizmente, não poucos cristãos e líderes que estão presos pelos tentáculos que acorrentaram Jezabel e Balaão. Fujamos em tempo oportuno!
                                            Pr. Esdras Costa Bentho

Espírito x Escritura

Talvez alguns questionem a relevância dos escritos de João Calvino para nosso tempo. Como um teólogo do séc. XVI pode nos ajudar? Acredito que, por sua dedicação em expor a Palavra com a maior fidelidade, os textos do mestre de Genebra são bastante proveitosos para os cristãos hoje. Nosso Cristo é o mesmo ontem e hoje, a Escritura não pode falhar tanto no 1536 quanto em 2010, e a humanidade continua debaixo da maldição de Adão. Se o crente procura uma boa exposição da Bíblia, encontra ótimo trabalho em Calvino, mesmo que não concorde em todos os pontos com o reformador. É por isso que até hoje muitos (como eu!) dedicam seu tempo a entender melhor o pensamento do controverso e mal compreendido teólogo francês.
Um bom exemplo é a forma como o Reformador lida com o problema daqueles que menosprezam as Escrituras em detrimento de supostas orientações do Espírito de Deus, muitas das quais contrárias à Palavra. Parece até que o pastor francês enfrentava desafios idênticos aos que os crentes atuais encaram. No capítulo nove, do livro I das Institutas, ele lida com muita lucidez esse problema. Lá, Calvino fala que “surgiram em tempos recentes certos desvairados que, arrogando-se, com extremada presunção, o magistério do Espírito Santo, fazem pouco caso de toda leitura da Bíblia e se riem da simplicidade daqueles que ainda seguem, como eles próprios a chamam, a letra morta e que mata” (1.9.1, textos de Calvino sempre em vermelho). Com a ajuda do reformador, vejamos como devemos evitar esse tipo de reinvidicação.
Provavelmente nos virá à memória alguém que conheçamos, que pensa de maneira semelhante aos contemporâneos do reformador, e outros leitores até tenham se sentido mal por parecerem tão “insensíveis ao toque do Espírito”.  Talvez alguns de nós já fomos tratados como alguém que segue a letra morta, ao invés de deixar-se levar pelos “ventos do Espírito de Deus”. Mas o reformador sabe que nenhum dos apóstolos pensava assim.
“Eu, porém gostaria de saber deles que Espírito é esse de cuja inspiração transportam a alturas tão sublimadas que ousem desprezar como pueril e rasteiro o ensino da Escritura? Ora, se respondem que é o Espírito de Cristo, tal certeza é absolutamente ridícula, se na realidade concedem, segundo penso, que os apóstolos de Cristo e os demais fiéis da Igreja primitiva, foram iluminados não por outro Espírito. O fato é que nenhum deles aprendeu o menosprezo pela Palavra de Deus.” (1.9,1)
Para Calvino, o Espírito e a Escritura estão unidos por um “vínculo inviolável”, mas aqueles que tentam criar uma dicotomia entre esses dois elementos cometem sacrilégio e desrespeito para com Deus, sua Palavra e o próprio ministério do Espírito Santo.
“Logo, não é função do Espírito que nos foi prometido configurar novas e inauditas revelações ou forjar um novo gênero de doutrina, mediante a qual sejamos afastados do ensino do evangelho já recebido; ao contrário, sua função é selar-nos na mente aquela mesma doutrina que é recomendada no evangelho.”
Como já vimos, crescimento espiritual e leitura da Palavra não se separam.
“Se ansiamos por receber algum uso e fruto da parte do Espírito de Deus, imperioso nos é aplicar-nos diligentemente a ler tanto quanto ouvir a Escritura.” (1.9.2)
Porém, existem aqueles que negam a necessidade do estudo bíblico e enfatizam uma suposta orientação do Espírito Santo. Ainda hoje esse tipo de heresia existe, e muitas vezes vemos alguém enganando a si, afirmando ter uma revelação especial, quando aquilo que ela sustenta pode até ir contra a Escritura.
A resposta de Calvino pode parecer polêmica para alguns, mas, para ele, o Espírito Santo não irá além daquilo que está escrito. Isto é, ele não negará as Sagradas Escrituras, e nem pode fazê-lo. Evidentemente, alguns dirão que estamos prendendo Deus em uma caixa, mas o reformador responde:
“Alegam, com efeito, que é afrontoso que o Espírito de Deus, a quem todas as coisas devem ser sujeitas, seja subordinado à Escritura. Como se, na verdade, isto fosse ignominioso ao Espírito Santo: ser ele por toda parte igual e conforme a si mesmo; permanecer consistente consigo em todas as coisas; em nada variar! De fato, se fosse necessário julgar em conformidade com qualquer norma humana, angélica, ou estranha, então deveria considerar-se que o Espírito estaria reduzido a subordinação.”
Isto é: não há nada mais honroso que comparar o que o Espírito diz às igrejas com aquilo que ele escreveu às igrejas. Caso utilizássemos outra regra para definirmos o que é, ou não, verdadeiro, cairíamos na heresia de conformar o Consolador a algum padrão inferior a Ele mesmo. Deus não pode mentir, e aquilo que ele disse na Escritura, é aquilo que Deus Espírito diz aos seus. Qualquer ensino que desvirtue isso é anátema.
“Para que o espírito de Satanás não se insinue sob o nome do Espírito, ele quer ser por nós reconhecido em sua imagem que imprimiu nas Escrituras. Ele é o autor das Escrituras: não pode padecer variação e inconsistência para consigo mesmo. Portanto, como ali uma vez se manifestou, assim tem ele de permanecer para sempre.”
Existe ainda uma acusação comum contra aqueles que tentam manter-se fiéis à Palavra, e desejam que somente as Escrituras falem no púlpito, através de uma boa interpretação:  eles seguem a letra morta, não o Espírito que vivifica (uma distorção do texto de  2 Coríntios 3.6). Calvino começa a última seção do capítulo 9 rebatendo essa falsa crítica.
“Portanto, morta é a letra, e a lei do Senhor mata a seus leitores, quando não só se divorcia da graça de Cristo, mas ainda, não tangindo o coração, apenas soa aos ouvidos. Se ela, porém, mediante o Espírito, é eficazmente impressa nos corações, se a Cristo manifesta, ela é a palavra da vida, a converter almas, a dar sabedoria aos símplices.” (1.9.3)
Há uma relação orgânica e viva entre Escritura e Espírito, de maneira que só conhece corretamente a Escritura aquele que está no Espírito. Ao mesmo tempo, somente pela Escritura podemos ter plena certeza das ações do Espírito e identificar falsas manifestações.
“Pois o Senhor ligou entre si, como que por mútuo nexo, a certeza de sua Palavra e a certeza de seu Espírito, de sorte que a sólida religião da Palavra se implante em nossa alma quando brilha o Espírito, que nos faz aí contemplar a face de Deus assim como, reciprocamente, abraçamos ao Espírito, sem nenhum temor de engano, quando o reconhecemos em sua imagem, isto é, a Palavra.”
Para Calvino, é ministério de Deus, em especial do Espírito, cuidar para que a mensagem da Escritura permaneça na mente dos cristãos. É comum ver igrejas que não seguem princípios bíblicos em seus cultos, apresentando a desculpa de que foram movidas pelo Senhor a isso. Devemos tomar cuidado com tais congregações.
“[Deus] enviou o mesmo Espírito, pelo poder de quem havia ministrado a Palavra, para que realizasse sua obra mediante a confirmação eficaz dessa mesma Palavra… Cristo abriu o entendimento aos dois discípulos de Emaús não para que, postas de parte as Escrituras, se fizessem sábios por si mesmos, mas para que entendessem essas Escrituras.”
Criar uma divisão entre o que a Bíblia diz e o que o Espírito Santo ensina é colocar Deus contra Deus. Não que tenhamos um Livro como divindade, mas porque devemos ter consciência de que ali estão guardados os pensamentos do próprio Criador. Fugir da Palavra em nome do Espírito é dizer que Deus, que não pode mentir, se contradiz, ou que o Consolador deixou seu ministério a fim de trazer inovações no Cristianismo. Tal postura é incompatível com a de um cristão e deve ser combatida. Que o Espírito de Cristo nos ajude nisso.
Nossa oração é que o Espírito fale sempre, por meio do que Ele mesmo designou e nos preparou.
                                                
                                                          por Josaías Jr.

MANIFESTO ANTI-EVANGÉLICO

Ser protestante é não ser evangélico. Evangélico no sentido desse caldeirão cultural supersticioso existente DEVE SER NEGADO pelo protestantismo histórico, não o Evangelho. Ser protestante não nega o Evangelho, nega ser evangélico nos moldes atuais. Ser protestante é não ser evangélico como muitos dizem ser e não são seguidores do Evangelho de Cristo.

O protestante tem de lutar para não ser enquadrado no evangelicalismo atual, tem que protestar contra a máquina gospel, protestar incansavelmente contra os mercenários. O protestante tem de protestar, não é opção nem pode haver acomodação.

O protestante deve ser consciente de quem ele é e qual o seu propósito. O protestante deve ser histórico, conhecer suas raízes e sua origem, e não ser evangélico nos moldes de hoje. Não ser evangélico nos moldes de hoje é não se conformar com o mundanismo.

O protestante deve ser confessional, deve estudar teologia reformada e história da igreja. Saber quem é e quem não é evangélico, como muitos se dizem ser.

Evangélicos atuais não sabem o que é calvinismo, teologia reformada, confissão de fé, apologética, não sabem o que é ortodoxia protestante nem o seu valor. Evangélicos nunca debatem escritos teológicos de Lutero, Calvino, Owen, Edwards, Warfield, Hodge... – O que será que os seminários evangélicos discutem em sala de aula? O que os evangélicos estudam em classes de escolas dominicais? Algo relevante, doutrinário e profundo? Que tipo de evangelismo é gerado? Que tipo de igreja é desenvolvido? Que tipo de adoração é realizado?

Ser protestante e não evangélico é não dormir o sono da acomodação, é ser inconformista, ter atitude, fazer alguma coisa por amor a Deus. Ser protestante é estar disposto a entrar no corredor da morte do mundo gospel, é ser mártir em espírito, é ser contestador e ser perseguido por causa da verdade de Cristo.

Não ser palhaço de púlpito, encantador de serpentes nem animador de auditório. Não ser psicólogo nem filósofo, mas ser bíblico, radicalmente bíblico. Não apenas usar a Bíblia, mas ser desgastado por ela, usá-la como uma espada afiada contra os erros doutrinários. Usá-la não para enriquecimento vil, mas para a edificação dos fiéis e glorificação a Deus. Ser protestante e não ser evangélico é não construir seu sistema teológico em cima de letras de louvor gospel nem em frases de camisas.

Muitos evangélicos são infrutíferos, pois alegam não ter tempo por causa do corre-corre do mundo, estão sempre ocupados. Ser protestante é “ser desocupado”, pois sempre arranja-se tempo para servir a Deus e a Igreja. Sendo assim, a Igreja precisa demais desses “desocupados” para avançar, para fazer algo e ter atitude.

Igreja não é mercado, o Evangelho não é mercadoria e protestante não é evangélico marqueteiro. Ser protestante é tomar a sua rude cruz e seguir o Cristo crucificado e ressurreto, não é carregar a cruz de neon dos evangélicos. Ser protestante é não fazer alianças com o Egito gospel. É não aceitar os valores e os chavões do evangelicalismo atual. Evangélicos de hoje são conformados, ignorantes do conhecimento são; da sã doutrina. O protestante deve escrever em legras grande que não acredita nos evangélicos contemporâneos, mas não deixa de crer no Evangelho.

Importa que a mentira evangélica dos dias de hoje se espalhe para que a verdade apareça. -- 1 Coríntios 11:19  Porque até mesmo importa que haja partidos entre vós, para que também os aprovados se tornem conhecidos em vosso meio. – O protestante deve declarar publicamente este manifesto anti-evangélico, pois é importante e fundamental que haja essa tensão entre protestantes e evangélicos.

Ser protestante é não aplaudir a produção cultural do mundo gospel. Ser protestante é criticar o evangelicalismo sentimentalista e mercenário, é protestar contra o circo evangélico, é contestar a falta de substância de muitas igrejas evangélicas e dar graças por um povo fiel. A igreja evangélica em grande parte tem criado membros estúpidos e alienados.

Qual é a identidade dos evangélicos de hoje? Mercado? Mundo? Mediocridade? Não ser evangélico é buscar, resgatar e fortalecer uma identidade sólida e histórica. Podemos traçar uma linha do tempo até a Igreja Primitiva.

Os evangélicos atuais, em grande parte, são penetras no Banquete de Cristo e ainda tentam a todo momento expulsar o Anfitrião da festa. Em contrapartida os servos fiéis e protestantes pregam com reverência, honra e autoridade; uma voz que clama no deserto ou em meio a multidão gospel.

Precisamos usar os meios de comunicação acessíveis para protestar contra esse caos evangélico. Protestante não é evangélico. Evangélico não é protestante. Evangélico não é anti-evangélico. Ser anti-evangélico é contestar os evangélicos mundanizados, é protestar. É ser contra os fiéis consumidores e honrar os adoradores.

O protestantismo necessita resgatar seu vigor histórico e iconoclasta. É preciso quebrar os ídolos do mundo gospel. Se os protestantes não criarem essa tensão entre o evangelicalismo e o verdadeiro Evangelho quem irá criar? Quem irá protestar?

Esse manifesto não precisa ser assinado, basta tão-somente que seja espalhado na Internet e nos boletins de igrejas fiéis.
                                                 Raniere Menezes